1. SEES 24.3.13

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  CRIME E CASTIGO
3. ENTREVISTA GLAUCIUS OLIVA  A MAIORIA QUER SER INOVADORA
4. LYA LUFT  TEMOS PAPA, TEMOS PAI
5. LEITOR
6. BLOGOSFERA
7. EINSTEIN SADE  VERTIGEM E TONTURA NO SO SINNIMOS

1. VEJA.COM
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br 

DOMSTICAS PROTEGIDAS
A emenda constitucional que assegura dezesseis novos direitos aos trabalhadores domsticos deve ser aprovada em definitivo pelo Congresso nesta semana. As empregadas recebero benefcios que outras categorias j tm garantidos h dcadas. Parte da classe mdia no poder arcar com os novos custos. Abrir mo das domsticas e ter de organizar seu cotidiano de uma nova maneira. Reportagem no site de VEJA ouviu especialistas para entender o impacto da nova legislao na vida dos brasileiros. E mais: 
Perguntas e respostas  Como sero calculados o adicional noturno e as horas extras? Entenda essas e outras questes.
Entrevista  O economista Walter Barelli. ex-ministro do Trabalho, prev que a aprovao da emenda acarretar demisses em massa, mas afirma: "A nova lei  uma exigncia civilizatria. A vida sem domstica  consequncia".
As empregadas na cultura  As empregadas so um personagem peculiar da dramaturgia brasileira. Em anos recentes, passaram dos papis secundrios a protagonistas  como na novela Cheias de Charme, de 2012.

GRACILIANO SEGUE VIVO
Graciliano Ramos, um dos gnios da literatura brasileira, ser o homenageado na Festa Literria Internacional de Paraty (Flip) neste ano, que tambm marca seis dcadas de sua morte. A seo Especial do Memorial VEJA traz reportagens sobre a relao difcil de Graciliano com os pais, as preocupaes sociais que o acompanharam desde o primeiro texto, feito ainda na escola, e os caminhos que ele percorreu at abraar a literatura. E mostra que sua obra permanece atual em um pas que ainda enfrenta problemas como a seca no Nordeste.

BIRRA A MESA
Pesquisas recentes demonstram que crianas foradas a comer tm mais riscos de desenvolver problemas psicolgicos na vida adulta, como depresso e delinquncia. O pediatra gastroenterologista Benny Kerzner, que estabeleceu a Diviso de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrio do Centro Mdico Nacional de Crianas dos Estados Unidos, em Washington, afirma que, em alguns casos, os pais acabam criando problemas alimentares em crianas perfeitamente normais. Em entrevista ao site de VEJA. Kerzner cita os erros mais comuns na hora de alimentar os filhos e fala sobre como os pais (jamais) devem proceder quando as crianas fazem birra  mesa.


2. CARTA AO LEITOR  CRIME E CASTIGO
     A regulao da imprensa na Inglaterra, tema de uma reportagem desta edio de VEJA,  um daqueles momentos de oportunismo em que os polticos, a pretexto de conter abusos, cometem outro ainda mais prejudicial. Na segunda-feira passada, o Parlamento britnico, reverberando a revolta da opinio pblica com as criminosas aes do tabloide News of the World, j fechado, criou um organismo regulador da imprensa. Composto de cidados sem ligao com os meios de comunicao, com o governo ou com os partidos polticos, o rgo poder exigir dos jornais e revistas a publicao de correes e pedidos de desculpas a pessoas que tenham sido comprovadamente vtimas de abusos. O regulador no tem poder para fazer censura prvia, determinar o fechamento de veculos de comunicao ou exigir a demisso de jornalistas, mas pode aplicar multas de at 1 milho de libras (3 milhes de reais). 
     Ningum de bom-senso relativiza os crimes cometidos pelo News of the World (veja a reportagem na pg. 70). Ningum pode achar adequado o recorrente abuso dos tabloides britnicos, que atropelam as mais elementares consideraes ticas e at humanitrias quando invadem cruelmente a vida privada de celebridades ou pessoas comuns. Mas no  essa a questo. O que feriu o esprito democrtico na Inglaterra foi pretextar o abuso para coibir o uso, foi o abandono de uma tradio libertria de 300 anos em que o estado ingls nunca interferiu no funcionamento da imprensa. Todos os crimes cometidos por jornalistas inescrupulosos podem ser  e so com frequncia  exemplarmente punidos pelas leis j existentes na Inglaterra. Mesmo assim, os polticos no resistiram  tentao de criar um mecanismo capaz de constranger tambm a imprensa sria, aquela que no lhes d sossego, apontando suas demagogias ou revelando suas eventuais tramoias. 
     Para ns, brasileiros, a medida  perniciosa por dar aos radicais argumentos para voltarem  carga em sua to sonhada censura  imprensa. A liberdade de expresso no Brasil  protegida pela Constituio  e ela garante que a imprensa seja livre, no que seja boa. Mais que profissionais responsveis, competentes, honestos e submetidos a estritos cdigos de tica, quem realmente garante que a imprensa seja boa  o leitor. Em seu ato voluntrio de comprar ou assinar um jornal ou uma revista, ou deixar de faz-lo, o leitor chancela ou condena uma publicao. Delegar esse poder aos polticos ou a organismos criados por eles  um erro fatal que acaba por emascular a funo primordial da imprensa sria: a de ser os olhos e ouvidos da nao na busca da verdade e na vigilncia constante sobre os poderosos. 


3. ENTREVISTA GLAUCIUS OLIVA  A MAIORIA QUER SER INOVADORA
O presidente do CNPq diz que enviar talentos ao exterior  o caminho para romper com o marasmo no ensino superior brasileiro e tirar os ainda acomodados da zona de conforto.
MONICA WEINBERG

Desde a estreia do Cincia sem Fronteiras, em julho de 2011, a rotina do fsico Glaucius Oliva, 53 anos,  tomada por decises cuja complexidade se equipara ao gigantismo da iniciativa. S nas contas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico (CNPq)  rgo que h dois anos ele preside , o nmero de estudantes enviados s melhores universidades do mundo deve se multiplicar por vinte at 2014. Como uma das cabeas  frente do programa, Oliva j teve de lidar com os tropeos iniciais e se lanou pessoalmente na costura de parcerias em pases onde a inovao  cultivada em grau mximo. Doutor em biologia estrutural pela Universidade de Londres  rea  qual ainda se dedica na USP de So Carlos , ele considera decisiva a convivncia com a nata da academia mundial. "Espero que essa gerao mais globalizada d uma boa chacoalhada nas universidades brasileiras", dispara na seguinte entrevista que deu a VEJA. 

Por que tm faltado candidatos s vagas oferecidas pelo Cincia sem Fronteiras?
Isso se v principalmente na ps-graduao, em que muitos dos estudantes de mestrado e doutorado vivem em uma zona de conforto. Eles no ambicionam nada de muito extraordinrio, fora da curva, e vo sobrevivendo  base de um ou dois artigos publicados por ano em revistas de baixa relevncia. Essa turma leva uma rotina estvel, previsvel, e no tem grandes incentivos para se mexer e estudar no exterior.

Como esperar que, na volta ao Brasil, os talentos agora enviados s melhores universidades do mundo se sintam compelidos a produzir e a permanecer em ambientes como esse? 
Tenho a esperana de que eles dem uma boa chacoalhada nas universidades brasileiras. A comear pela graduao, ainda apoiada em um modelo velho, fossilizado. Nem mesmo instituies mais conceituadas, como a USP, ficam de fora. Impomos aos alunos uma carga horria absurdamente elevada, baseada em um excesso de aulas expositivas maantes. Basta olhar um pouco alm de nossos prprios muros para perceber que a nata da academia mundial est caminhando justamente em direo oposta. Eles envolvem o aluno em projetos desafiantes, em leitura e discusses de altssimo nvel, no lugar de deix-lo preso a uma sala de aula congelada no sculo XIX.

Recentemente, vieram  tona casos de atraso no pagamento de bolsas a brasileiros bancados no exterior pelo Cincia sem Fronteiras. No foi a primeira vez. Por que a recorrncia do erro? 
Esses casos so raros diante do volume de bolsas distribudas, mas inaceitveis. Eles so produto dos labirintos burocrticos do setor pblico. Olhe como a coisa funciona. O dinheiro que atrasou era para dar um adicional queles estudantes que esto vivendo em cidades mais caras. Sendo uma verba extra, era preciso publicar uma portaria para poder alterar os valores no sistema e ainda submeter o caso ao crivo de uma instncia jurdica. O trmite acabou se arrastando por mais tempo do que deveria, e os alunos ficaram quatro meses sem ver a cor do dinheiro. No podemos deixar que se repita, sob o risco de arranhar uma tima iniciativa.

Houve resistncias ao programa por parte das universidades? 
Inicialmente, sim. Alguns coordenadores e professores questionavam: "Como assim? Vo levar embora nossos melhores crebros?". Eles no conseguiam olhar um passo adiante. Mas, conforme foram se familiarizando com o programa, acabaram se convencendo de que poderia ser bom para todos. Uma turma que at hoje reclama  a da rea de humanas, que ficou de fora. No se passa um dia em que eu no receba um e-mail de algum contrariado querendo saber o motivo da excluso. Explico a essas pessoas que as bolsas para humanidades no foram extintas, e at se expandiram, s no foi no mesmo volume que as demais. Com o Cincia sem Fronteiras, fizemos, sim, uma opo pelas reas exatas e biomdicas, porque o pas precisa contar com uma base de talentos a para se tornar mais inovador e conseguir competir globalmente.

Por que o Brasil ficou apenas na 58 posio no ltimo ranking mundial da inovao?
Esse , antes de tudo, o retrato de um atraso histrico em relao aos pases mais desenvolvidos, que comearam a cultivar o saber sculos antes de o Brasil ver surgir sua primeira universidade. At os anos 70, a cincia brasileira era inexpressiva no cenrio internacional, uma aventura para uns poucos heris que se lanavam na busca de conhecimento com pouco incentivo. Quando finalmente fincamos as bases para uma produo cientfica mais slida, outros fatores emperraram os avanos. Um deles foi a falta de foco na escolha dos temas investigados.

Esse  um fator que contnua pesando contra a inovao? 
J melhoramos muito. Para se ter uma ideia, naqueles tempos em que a cincia brasileira estava no cho, o bordo no meio acadmico era: "Produza alguma coisa, no importa o que nem para qu". Nossa cincia sempre foi muito ofertista, regida por uma lgica segundo a qual primeiro voc investiga um assunto, depois pergunta se algum est interessado nele. Hoje, felizmente, h cada vez mais pesquisadores debruados sobre problemas concretos, dedicados  cincia aplicvel. Mas persistem, sim, ncleos universitrios que se perdem em temas etreos, alguns com a viso enviesada por suas prprias crenas e ainda aferrados a antigas bandeiras ideolgicas.

Quais bandeiras? 
 uma minoria, mas h gente na academia que ainda no v com simpatia a aproximao com o setor privado. Eles repetem o mesmo velho bordo: "Vamos acabar colocando recursos pblicos a servio do capital". Esses centros de resistncia sustentados sobre o discurso ideolgico contriburam historicamente para manter as empresas distantes do mundo acadmico e a inovao brasileira, por consequncia, longe do topo. Se voc conversar hoje com certas associaes de docentes, talvez ainda escute conhecidos slogans anticapitalistas. Mas reafirmo: atualmente, eles j no traduzem mais a predisposio da maioria, que quer inovar.

Nos pases mais inovadores do mundo, a maior parcela dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento vem do setor privado, e no do governo. Por que no Brasil  diferente? 
As empresas brasileiras se desenvolveram sob um protecionismo pesado, num ambiente em que a competio no era estimulada e no havia incentivo  inovao. Nenhum empresrio em s conscincia colocaria dinheiro no desenvolvimento de novas tecnologias  algo que leva anos para se reverter em riqueza  sem confiar na solidez das instituies nem em uma moeda cujo valor era corrodo a cada dia pela inflao. Mas isso vem mudando, e rapidamente.

De onde vem essa sua convico? 
Nos encontros com organizaes como Fiesp e CNI, ouo a toda hora as cabeas mais empreendedoras do pas falando da necessidade de inovar. E eles esto realmente pisando no acelerador. Entenderam que, no mundo de hoje, ningum se torna competitivo sem ser inventivo. O Brasil  um caso nico de pas no mundo em que uma universidade  a Unicamp  est entre as instituies que lideram a produo de patentes.  o setor privado que deveria encabear o desenvolvimento de novas tecnologias. Cabe ao governo, de seu lado, garantir crdito, segurana jurdica e incentivos tributrios  inovao  esta, alis, uma iniciativa amplamente aceita pela Organizao Mundial do Comrcio.

Por que a esmagadora maioria dos Ph.Ds. brasileiros prefere trabalhar em universidades e no no setor privado, como  to comum nos pases mais desenvolvidos? 
Por muito tempo, faltavam boas oportunidades nas empresas, mas tambm iniciativa por parte dos doutores brasileiros para quebrar o ciclo da inrcia que os faz permanecer no universo acadmico. H, como j disse, uma acomodao na academia entre aqueles que ambicionam pouco e no vem sentido em ir alm da zona de conforto. A prpria universidade no os incentiva a sair. Quando recebem propostas de emprego de uma empresa, no  raro ouvirem de seus orientadores: "Vo roubar o meu doutor?". Grandes pesquisadores s vezes se esquecem de que uma das funes primordiais da academia  justamente formar doutores de alto nvel para elevar a produtividade da indstria.

O princpio da meritocracia no deveria estar mais presente nas universidades brasileiras? 
A isonomia salarial  intrnseca ao servio pblico. Um juiz que trabalha com presteza ganha o mesmo que aquele que s bate ponto na repartio, atravancando o Judicirio, e essa mesma lgica distorcida se replica na universidade pblica. Na posio que ocupo, preciso lidar com a realidade encontrando caminhos para, dentro do sistema j estabelecido, tentar garantir o reconhecimento ao esforo e aos talentos individuais. O CNPq e a Capes j dispem de bons mecanismos para aferir com objetividade o nvel da produo dos grupos de pesquisa e contam com verbas para premiar os mais produtivos. O dinheiro vai para o bolso do pesquisador e para o seu laboratrio. Agora, acho que cabe, sim, uma reflexo sobre aspectos da legislao brasileira que acabam sufocando o princpio da meritocracia.

O senhor pode dar um exemplo? 
Se eu sou o chefe de um grupo de pesquisas na universidade, tenho uma vaga a ocupar e encontro um profissional que se encaixaria perfeitamente na funo, no posso contrat-lo. A lei me impede. Ela exige o concurso pblico. Nos Estados Unidos, onde essas regras so muito mais flexveis, voc escolhe um professor de Princeton ou de Harvard e pode fazer a ele a proposta mais agressiva que estiver ao seu alcance. Todos sabem que a presena de um bom professor desencadeia um ciclo virtuoso, j que ele consegue atrair mais alunos, projetos e dinheiro para a universidade.

Os bons cientistas brasileiros queixam-se do excesso de burocracia na universidade. O senhor engrossa o coro? 
Sem dvida. Olhe, por exemplo, como funciona o sistema de doao de dinheiro privado para as faculdades pblicas. Essas verbas precisam ser executadas segundo as normas do servio pblico. Ou seja, se eu quero comprar um equipamento que atende s necessidades da minha pesquisa, preciso antes lanar uma licitao. E ela deve sempre obedecer  regra do melhor preo, que, como se sabe, nem sempre  o critrio mais adequado para fazer uma escolha no meio cientfico. Para piorar as coisas, o dinheiro doado s vezes leva at um ano para ser disponibilizado, e  o prprio pesquisador que conduz todo o processo, perdendo um tempo valioso de sua atividade intelectual. 

Quase a metade das vagas oferecidas neste ano nas universidades pblicas foi preenchida com estudantes beneficiados pela nova poltica de cotas. O senhor apoia a iniciativa? 
Acho que os efeitos dessa poltica podem ser positivos, sim, mas o governo deve observar atentamente as consequncias dela para que a qualidade seja preservada acima de tudo. Os Estados Unidos adotaram no passado um sistema mais flexvel, dando um empurro queles alunos que no estavam no topo, mas que j apresentavam rendimento escolar compatvel com os desafios do ensino superior. Eu me pergunto: ser que era necessrio estabelecer um nmero fixo de vagas para os cotistas? E deveria ser 50%? Ou 20%, 30%? Se as notas de ingresso forem baixas demais, o princpio da meritocracia ficar em xeque. Precisamos acompanhar os desdobramentos da iniciativa para evitar isso.  

H um grupo que defende a extenso das cotas  ps-graduao. O senhor se inclui nele? 
De jeito nenhum. Essa  uma bandeira agitada por grupos de afrodescendentes que deixam de considerar algo essencial: depois de uma graduao, as diferenas na largada da vida acadmica j deveriam ter sido sanadas h tempos. Se elas no foram, infelizmente, no  possvel almejar um mestrado, muito menos um doutorado. Nesse olimpo deve estar gente verdadeiramente preparada para atuar na fronteira do conhecimento, com alta capacidade para inovar e gerar riqueza.


4. LYA LUFT  TEMOS PAPA, TEMOS PAI
     Pode parecer suprfluo escrever sobre o assunto que domina a imprensa com anlises acuradas, frases entusiasmadas, comentrios escrachados, enfim, toda a humana coisa. Porque ns somos assim. Eu, que no sou muito praticante, mas acho religio, religiosidade, alguma espiritualidade fundamentais, estou encantada com esse Francisco. 
     Primeiro, pela modstia e pobreza. "Ah, como quero uma Igreja pobre, como quero uma Igreja para os pobres!" foi uma de suas exclamaes, nesse tom de vovozinho  mas que ningum se iluda, ali existe uma alma terna e frrea, como precisamos todos ns na figura de um pai, e ele  o pai. Recusou as vestes douradas e luxuosas, achou que seu apartamento acomodaria 300 pessoas, assombra os responsveis por sua segurana e os encarregados de medievais formalidades, usa sapatos pretos simples, crucifixo de ferro no peito e se porta como uma pessoa: abraa pessoas, pede que rezem por ele, d boa-noite s multides ou lhes deseja bom almoo, e a legio de filhos se v olhada, se sente gente.  
     No sei comentar assuntos teolgicos nem, na minha tranquila existncia, imagino a loucura que seja administrar a Cria, o Vaticano, onde seriedade e delrio, luxo, pompa e austeridade devem andar misturados, s vezes mal misturados, h sculos. Mas sei o que uma pessoa deseja de um pai. Primeiro, exemplo. No adianta delegar a educao dos filhos  escola,  psicloga,  pedagoga, aos amigos. A base de tudo, da personalidade, do futuro, esse cho sobre o qual andaremos pelo resto da vida (tropeando mais se for esburacado, ou com mais chance de no quebrarmos tanto a cara e a alma se for mais slido),  a famlia, a casa paterna, so me e pai; o exemplo. "Ser exemplo, ah, eu no quero isso,  muito chato", me diz um pai ainda moo. "Ento no posso fazer tudo o que quero, agora que sou adulto?" Sinto muito:  chato,  inquietante,  limitador, mas se voc tem filho, sobretudo pequeno ou adolescente, voc  responsvel. Se quer ser sempre um gato (uma gatinha), no tenha filho; bem melhor para todos, para o mundo. Pois  a voc, ao pai, que eles vo tomar como modelo, ainda que voc no queira. Pai mulherengo, pai festeiro demais, pai que no se interessa, que no olha o tema (no  para fazer o tema pelo filho), que no repreende quando  preciso, que no estimula bastante, no abraa, no brinca, no joga bola, no procura saber dos amigos, no beija antes de pegar no sono, pai que ignora ou, quando comenta, ironiza, paralisa, pai autoritrio demais, ou violento, pai que diz que no tem tempo...  o cho frgil que nos vai fazer cair mais, escolher pior, respeitar menos quem somos. No falo s de filho homem. Esse meu "filho"  o agenrico, inclui as meninas, assim como esse "pai" inclui a me. 
     O grande pai que  o chefe dessa Igreja de incontveis milhes de filhos, crentes ou meio desgarrados, , antes de tudo, um exemplo. Com sua vida, suas convices, seu jeito de ser: bondoso, simples, sim, mas no se iludam: vai ser, j comea a ser, um reformador, um orientador, e para isso vai precisar estar alerta, e presente, e firme, e sbio, e humilde, todos os dias de seu papado  que desejo longo. Porque estamos precisados de acreditar que o mundo no , sobretudo, caa ao prazer, ao poder, e irresponsabilidade infantil, mas algo bem melhor que isso. 
     Francisco, Francesco, com o gostoso som italiano, escolheu como inspirao aquele de Assis. Foi eleito para ser pai de um rebanho incontvel e olha para alm disso, dirigindo uma bno aos no crentes, coisa rara at onde sei, uma bno legtima quase nunca usada. Ele vai deslumbrar o mundo, vai assustar, vai castigar, vai fazer pisar em ovos, mudar de pouso ou de postura, adquirir compostura, sair correndo, indignar-se, aplaudir, ter esperana. S no vai ser morno. E assim, eu aqui, a quem ele no conhece, cuja existncia nem imagina, lhe desejo fora, sucesso, pacincia (mas no muita), paz interior, iluminao. Ele bem que vai precisar. E ns precisamos muito dele. 


5. LEITOR
PAPA FRANCISCO
Vou emoldurar a capa da edio 2313. Assim homenageio VEJA  pela cobertura correta, assertiva e elucidativa do perodo entre a renncia de Bento XVI e a eleio do novo pontfice ("Francisco, o simples", 20 de marco)  e o prprio papa Francisco, que, alm de cativar catlicos, foi muito bem recebido e visto como sinal de esperana no mundo por espritas, budistas, cristos ortodoxos... Seja esse Francisco, a exemplo de So Francisco, a imagem mais perfeita de Cristo.
AQUILES MURARI
Jundia, SP

Adriana Dias Lopes, Mrio Sabino e os demais profissionais de VEJA  minha companheira de dcadas  deram um show de reportagem em todo o processo de escolha do papa Francisco. Estou encantada com ele.
CARMEN HELENA DA CRUZ WATRIN COELHO
Belm, PA

Magnfico o trabalho da equipe de VEJA. Alm de apresentar ao leitor um pouco da origem, da histria e, por que no dizer, de algumas idiossincrasias de Jorge Mrio Bergoglio  agora papa Francisco , revelou a possvel razo da renncia de Bento XVI. Que Francisco inicie uma faxina na Igreja Catlica.
SRGIO ROBERTO MOSSI
Chapec, SC

Uma simbologia digna de ateno, leveza, simplicidade e entusiasmo  um sinal vivo de mudanas para arejar "o povo de Deus".
JOS ORLANDO DE SIQUEIRA
Passos, MG

Bem documentada e com excelente apresentao est a reportagem especial sobre o papa Francisco. Espero que a figura impoluta do cardeal Bertone seja finalmente restaurada pelo imprio da verdade e que a Santa S se liberte de uma vez por todas da maldio do banco do Vaticano, o IOR. Pelas armas do Risorgimento italiano, a Igreja se livrou no fim do sculo XIX  foi em 1870 que Roma foi tomada pelos unificadores da Itlia  e o papa perdeu os chamados Estados Pontifcios, que pareciam um bem histrico desde Carlos Magno e, na verdade, eram uma desgraa para a Igreja de Jesus. O ltimo chamado papa rei foi Pio IX.
DOM EDVALDO GONALVES AMARAL
Arcebispo emrito de Macei
Recife, PE

Tomara que na louvvel e oportuna mea-culpa a Igreja possa pelo menos tornar facultativo o direito do sacerdote de se casar e que disponha dos meios necessrios para sobreviver sem depender dos recursos da parquia ou diocese, cujos bolos devem ser destinados s obras sociais.
BENJAMN BATISTA
Presidente da Academia de Cultura da Bahia
Salvador, BA

Que o papa Francisco, com sua simplicidade corajosa e a couraa divina, enfrente as foras ocultas da Cria, tirando a Igreja Catlica do lamaal. Vida longa ao novo pontfice!
FABIO VILELA RIBEIRO
So Jos dos Campos, SP

A exemplo do sumo pontfice, os cardeais, arcebispos, bispos, padres e diconos devem se despir da soberba e da superioridade na conduo do Evangelho de Cristo, que foi manso e humilde de corao. Ao tomar So Francisco de Assis como inspirao para a escolha do seu nome papal, Bergoglio j nos remete a que direo o "barco de So Pedro" tomar, certamente para o cais dos pobres, das almas famintas, dos excludos, no porque se deva esperar da Igreja a soluo para os problemas sociais, mas a evangelizao.
LUCIANO FRANA
Palmares, PE

Enfim, um papa que sorri.
EDMILTON CARNEIRO ALMEIDA
Itabuna, BA

Pela simplicidade, f, carisma e formao, Francisco ser o papa da nova era.
NOEMI JUVENAL DE ALMEIDA
Goinia, GO

Se o pontfice escolhido fosse brasileiro, certamente teramos um pedido de canonizao para Lula, feito pelo PT. Deus sabe o que faz!
PATRCIA MARIA VIDAL
Fortaleza, CE

Se o rebanho no  ouvido nem devidamente notado, ele tambm deixa de ouvir o seu pastor. Que fique a lio. Muita fora ao papa Francisco.
HLIO SOUZA OLIVEIRA
Tiet, SP

MARCO FELICIANO
VEJA deu oportunidade ao pastor e deputado federal Marco Feliciano de falar o que pensa ("Eu acredito no dilogo", Entrevista, 20 de maro). Alis,  o mesmo que muita gente pensa, mas nunca teve coragem de falar  ou nunca pde.
MICHELLE PLINSKI
Portoo Alegre, RS

Concordo plenamente com o deputado Marco Feliciano. No sou obrigado a aceitar o ato homossexual, o sadomasoquismo, o suingue, ou quem os pratique. Respeito as pessoas, mas tenho todo o direito de no concordar com suas atitudes ou seu estilo de vida. Acho uma violncia certos grupos quererem impor suas vontades e atitudes.
CELSO DE MORAES
So Paulo, SP

Felizmente temos um parlamentar que nos defender dos heterofbicos.
MARA ALMEIDA
Lenis Paulista, SP

Pesar, tristeza, decepo, vergonha, impotncia, incredulidade, raiva, espanto, medo... Um misto de sensaes ruins nos acomete quando nos damos conta de que o nosso pas est nas mos de gente to obtusa quanto o senhor Marco Feliciano. Salve o estado laico.
MARCELO SARAMAGO
Rio de Janeiro, RJ

Somente no pas do mensalo poderia acontecer um fato como este: o deputado federal Marco Feliciano, homofbico, tornar-se presidente da Comisso de Direitos
Humanos e Minorias da Cmara dos Deputados. Salta aos olhos a incoerncia entre os polticos brasileiros.
JOS EDICLEI SILVA
Palmital, SP

Fora, Feliciano! Sua presena  nefasta.
RENATA RODRIGUES FONSECA
Braslia, DF

O deputado Marco Feliciano deveria largar a Bblia e estudar a Constituio brasileira e o que significa o respeito aos direitos humanos.
LUIZA HELENA RODRIGUES
Cuiab, MT

Os direitos humanos so de carter universal. Isso significa que no esto baseados em interpretaes religiosas ou limitados por elas. Os direitos humanos se referem a todos os seres humanos: catlicos, judeus, muulmanos, budistas, ateus. Por isso, o deputado se equivoca ao basear o seu entendimento na Bblia. Melhor seria base-lo na Declarao Universal dos Direitos Humanos (1948). Homossexuais so seres humanos, logo tm direitos humanos. No importa o que a Bblia, a Tor ou o Coro ditem. A orientao sexual  um direito individual que deve ser respeitado principalmente pelos representantes do povo. A existncia de uma Comisso de Direitos Humanos e Minorias  positiva. Mas  importante que as pessoas que a integram tenham noes mais claras sobre o tema. Assim como o deputado, eu tambm acredito no dilogo, e por isso acho importante fazer essas consideraes.
KAREN DA COSTA
Centro Irlands de Direitos Humanos
Universidade Nacional da Irlanda  Galway
Barna, Galway. Irlanda

"O BRASIL DA CHIBATA"
Nunca havia escrito para VEJA para mostrar meu contentamento por uma reportagem publicada, porque todas me deixam sempre representado nos meus pensamentos. Mas nesta semana senti um mpeto de demonstrar quo feliz me senti ao ler o artigo "O Brasil da chibata" (20 de maro), de J.R. Guzzo.
JOS FLVIO S. BEZERRA
Braslia, DF

As perguntas de J.R. Guzzo representam exatamente as que eu gostaria de fazer aos nossos governantes. Ser que algum deles vai ter a coragem de nos dar resposta a pelo menos uma das perguntas feitas? Est lanado o desafio. No aguardo... Duvido!
MARCOS CSAR MATTEDI
Eunpolis, BA

O artigo mostra afirmaes da presidente da Repblica e do presidente do Supremo Tribunal Federal que revelam a prepotncia com que os mesmos, agindo com abuso de poder e excesso de confiana em seus cargos pblicos, vm deixando muitos brasileiros indignados. Ningum, seja rico, seja pobre, juiz ou estudante, est acima da Justia. Todos devem respeitar o direito de cada um, em conformidade com a legislao brasileira, e no se valer de imunidades polticas e judicirias.
ELDIO VIEIRA MILHOMENS JNIOR
Fortaleza, CE

De fato, no atual "pas de todos", tentar aplicar as leis  sandice; exigir que o poder pblico as cumpra  tarefa inglria. Uma pena  at que esse quadro se reverta, nada restar ao eterno pas do futuro.
GABRIEL OLIVEIRA
Anpolis, GO

"PASSADO IMAGINRIO"
J.R. Guzzo relaciona com clareza os fatos histricos do governo Getlio Vargas e a situao atual do Brasil ("Passado imaginrio", 20 de maro). Espero que vozes como a do articulista possam proliferar, a fim de evitar as armadilhas de polticos que desejam o poder disfarados de lderes da populao mais carente.
ROBERTO MARQUES
So Paulo, SP

Felizmente existem jornalistas como Guzzo, com a capacidade de se indignar perante tanta mentira e falsificao e de expor a baixaria da propaganda lulopetista.
MARCELO HECKSHER
Braslia, DF

Congratulo os profissionais de VEJA por suas reportagens e artigos.  envaidecedor receber em casa esta revista todas as semanas.
JOS PERIGUARY COELHO
Fortaleza, CE

Na verdade, o ex-presidente tambm  pai, entre outras coisas, dos corruptos mensaleiros e daquilo que h de pior na poltica atual.
MRIO COBUCCI JNIOR
So Paulo, SP

TRANSTORNOS INFANTIS
Fiquei emocionada com a excelente reportagem "Um novo olhar para a mente das crianas'" (20 de maro). Sou professora das redes pblica e privada e me de filhos portadores de TDAH. Chega de rotular nossos alunos e filhos de "desatentos", "indisciplinados", "incompetentes", "que no querem nada". Eles querem, sim. Querem que voltemos um novo olhar para eles.
ADRIANA ANTUNES RIBEIRO
Juiz de Fora, MG

A Associao Brasileira do Dficit de Ateno (ABDA) parabeniza a revista pela maneira sria, tica e responsvel com que foi conduzida a excelente reportagem "Um novo olhar para a mente das crianas". Veculos de informao como VEJA, comprometidos com a responsabilidade social, a veracidade dos fatos e o saber cientfico, colaboram para a conscientizao sobre a realidade daqueles que sofrem com o TDAH e outros transtornos psiquitricos da infncia. A esclarecedora reportagem  um blsamo para os pais, pessoas com TDAH e familiares que h muito tm sido vtimas de preconceitos gerados por informaes incorretas e alarmantes sobre o TDAH no Brasil.
IANE KESTELMAN
Presidente da Associao Brasileira do Dficit de Ateno
Rio de Janeiro, RJ

Superdotados no so gnios. O gnio muda a concepo do mundo de sua poca com propostas inusitadas, antecipatrias. J o superdotado faz propostas criativas, reformula solues. Todo gnio  superdotado, mas nem todo superdotado  gnio.
CLAUDIA HAKIM
Ncleo Paulista de Ateno  Superdotao (NPAS)
So Paulo, SP

MARCO FELICIANO 2
O deputado federal Marco Feliciano (PSCSP), na entrevista "Eu acredito no dilogo" (20 de maro), disse que eu teria feito acordo e teatro ao renunciar  presidncia da Comisso de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Cmara. Esclareo: 1) Jamais mantive contato com o deputado Marco Feliciano, nem antes nem depois de minha renncia  presidncia da CDHM. Meu gesto de renunciar foi em protesto contra a realizao de uma eleio para a presidncia da CDHM a portas fechadas, com barreiras nos corredores da Cmara e com a Polcia Legislativa impedindo o acesso da populao  comisso; 2) Dessa forma, Marco Feliciano, alm de racista e homofbico,  mentiroso.
DOMINGOS DUTRA
Deputado federal (PT-MA)
Braslia, DF

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6. BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

CINEMA 
ISABELA BOSCOV 
VIRTUOSE
No filme dinamarqus A Caa, Thomas Vinterberg mostra o inferno na vida de um professor de jardim de infncia acusado falsamente de abuso sexual.  um filme de virtuose. www.veja.com/isabelaboscov

DE NOVA YORK
CAIO BLINDER
IRAQUE
A opinio pblica americana se esqueceu do Iraque, mas considera que a guerra foi um erro. Um grande erro que acarretou um imenso custo humano, econmico e geopoltico. www.veja.com/denovayork

COLUNA
REINALDO AZEVEDO
PAPA FRANCISCO
Numa de suas primeiras manifestaes pblicas, o papa Francisco instou seus conterrneos argentinos a no gastar dinheiro em viagens at Roma. Pediu que doassem o valor correspondente aos pobres. Dilma deslocou a Corte de Dario at Roma e l reiterou seu compromisso com os despossudos. www.veja.com/reinaldeazevedo

NOVA TEMPORADA
FERNANDA FURQUIM
 LA HITCHCOCK
Game of Thrones ter uma participao especial. George R.R. Martin, o autor da saga, ser visto em um episdio da srie. www.veja.com/temporada

PAULA NEIVA
BELEZA E GENTILEZA
Nos bastidores da So Paulo Fashion Week, a top model americana Karlie Kloss fez uma legio de admiradores. Karlie  daquelas que seguem o perfil da melhor linhagem de beldades: a que, longe das cmeras, esquece o ar blas e a pose de estrela, to comuns no mundo da moda. Ela estreou a passarela do evento, com brasileiras a quem, humildemente, teceu elogios: "As modelos brasileiras so autoconfiantes, lindas. At o sotaque  sexy", disse. E confessou: "Quando era mais nova, uma aspirante a modelo, era obcecada pela Gisele Bndchen, Alessandra Ambrosio e Adriana Lima".
www.veja.com/gps

SOBRE PALAVRAS
DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS
No h nada errado com a expresso '"dois pesos e duas medidas", que denuncia, como se sabe, uma injustia e uma desonestidade. Para muitos, o correto seria "um peso e duas medidas", pois s esta enfatiza o fato de estarmos diante de um mesmo mrito (um peso) e dois julgamentos diferentes. Tomado isoladamente, o argumento at faz sentido, mas em termos histricos  um equvoco. A expresso, que tem origem bblica, no se refere a duas medies para o mesmo peso, mas a dois pesos e dois metros, artimanhas de comerciante desonesto. A passagem est em Deuteronmio (25:13-16): 
"Usai apenas um peso, um peso honesto e franco, e uma medida, uma medida honesta e franca, para que vivais longamente na terra que Deus vosso Senhor vos deu. Pesos desonesto e medidas desonestas so uma abominao para Deus vosso Senhor."
www.veja.com/sobrepalavras

AUGUSTO NUNES
O ELENCO DA PERA DOS VIGARISTAS
No penltimo vero do governo Dilma, os canastres no palco resolveram debochar da plateia que tudo engole sem engasgos. A presidente agora acusa os mortos de terem optado pelo suicdio. Se as vtimas no descobrirem que h limites para a desfaatez at no Brasil Maravilha, a presidente mais inepta da histria vai querer prender os sobreviventes. Todos cometeram o mesmo crime: morar no lugar errado.
www.veja.com/augustonunes

 Esta pgina  citada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


7. EINSTEIN SADE  VERTIGEM E TONTURA NO SO SINNIMOS
Confuso entre os termos  comum, mas tanto as causas quanto as sensaes so bastante diferentes.

     Vertigem e tontura so termos usualmente empregados como sinnimos para designar a sensao de desequilbrio. H, no entanto, muitas diferenas entre as duas manifestaes. A sensao de estar rodando ou de que o ambiente est rodando caracteriza a vertigem clssica, enquanto a tontura  definida principalmente pela sensao de estar flutuando no ar. Tambm  muito importante no confundir o desequilbrio advindo da tontura ou vertigem com o desequilbrio causado pela perda da fora em um dos lados do corpo, caracterstico do acidente vascular cerebral (AVC). 
     Os episdios simples de tontura podem ocorrer por causa de uma queda de presso ou da taxa de acar no sangue. Pessoas que ficam longos perodos sem comer ou ingerem doces em excesso tendem a sentir tontura com maior frequncia. Reduzir o consumo de acar e alimentar-se a cada trs horas so condutas que normalmente levam  total remisso dos episdios. 
     J a vertigem indica a existncia de afeces no labirinto  estrutura do ouvido interno formada pelo vestbulo (responsvel pelo equilbrio) e pela cclea (responsvel pela audio). Por isso, pode ser acompanhada de problemas auditivos. 
     H cerca de 300 afeces do labirinto que podem ocasionar vertigens, dentre elas a vertigem postural paroxstica benigna (VPPB), que representa cerca de 50% das ocorrncias. Ela  provocada pelo deslocamento de um  ou mais otlitos, pequenas estruturas presentes no vestbulo. Outros 20% dos casos so atribudos  doena de Menire, causada pelo excesso de endolinfa (lquido existente no labirinto). 
     Quando os desequilbrios tornam-se frequentes  fundamental procurar um mdico especialista em ouvido que, a partir da descrio das sensaes, estabelece se o paciente sente tontura ou vertigem e pode, muitas vezes, chegar a um diagnstico sem procedimentos complementares. O exame otoneurolgico, a eletrococleografia ou exames de imagem devem ser solicitados para determinar a extenso da perda auditiva e descartar quadros mais graves, como doenas neurolgicas (AVC, por exemplo) e tumores. A maior parte dos pacientes apresenta boa resposta  terapia clnica medicamentosa. As manobras de reposicionamento  exerccios feitos com superviso mdica ou de fonoaudilogos  costumam ser associadas  terapia clnica da VPPB. Nos casos de doena de Menire, a reabilitao vestibular pode ser associada ao tratamento com medicamentos, mediante solicitao mdica. 
     Por afetarem principalmente pessoas de maior faixa etria, os distrbios do equilbrio devem ser investigados to logo ocorram as primeiras manifestaes. O objetivo  evitar o agravamento do quadro e, consequentemente, o risco de quedas, que hoje representam a maior causa de morte acidental acima dos 65 anos de idade.

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